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terça-feira, 16 de junho de 2009

O meu cão está doente?!...Ajudem-me!...Urgente!


Site Meter




O meu cão está doente!...Ajudem-me!...Urgente! Este tipo de apelos, lamentavelmente, continua a ser uma constante nos e-mails que vou recebendo, bem como uma constante nos mais diversos fóruns de sites relacionados com animais de companhia.


São relatadas situações como:


“O meu cão não come há diversos dias e não sai do mesmo sitio. O que faço?”


“O meu cão está a ficar muito magro. Estará doente?”


“Desde há uns dias que o meu cão arrasta as patas traseiras. Será que se magoou?”


“Preciso de ajuda! A minha cadela está a ter filhotes”


“O meu cão está com sangue na urina. Quantos dias devo esperar para ver se passa?”


Claro está, no final, vem a frase habitual:

O meu cão está doente?!...Ajudem-me!...Urgente!


Nos fóruns, quando aparecem este tipo de tópicos, alguns dos seus autores, avisam logo:


“Não venham com a conversa que tenho que levar o cão ao veterinário”.


No mínimo, chocante. Assim classifico estas situações. Como ainda podem existir em pleno século XXI?


No que me diz respeito, não deixo de responder a nenhum destes apelos, tentando fazer os seus autores caírem na realidade, apurarem as suas responsabilidades, deveres e o risco de vida/sofrimento em que podem estar a colocar os seus cães.


Não me atrevo, não só pelo simples facto que não sou veterinário, a tecer qualquer diagnostico sobre os supostos “quadros clínicos” apresentados. Mesmo que fosse veterinário, nunca o faria sem uma observação presencial.


Estas realidades, são para mim, a prova provada, que os mais diversos problemas que vamos conhecendo com os cães na nossa sociedade, se devem a uma falta de consciencialização e civismo sobre os deveres e obrigações para com um animal de companhia.


Para quando uma campanha televisiva e não só, ao género do que foi feito para a reciclagem do lixo? Direccionada para os deveres e obrigações inerentes à detenção de um animal de companhia. A mudar, só mesmo as gerações vindouras.


Suspeita que o seu animal de companhia está doente?...Não hesite, vá ao veterinario.




sexta-feira, 29 de maio de 2009

Será que os donos conhecem os seus cães?


Os cães e respectivas raças (moldadas pelo homem nos últimos séculos), mesmo quando integrados na nossa sociedade e na sua família humana, continuam a reger o comportamento pelo seu código genético, o qual teve as suas origens no antigo lobo.

Embora muitos cães e muitas raças tenham sofrido, continuem a sofrer e tenham perdido ao longo do tempo as suas características principais, tudo devido ao desvirtuamento aplicado pelo homem na chamada humanização dos cães, um cão, em termos comportamentais, será sempre um cão.

Existem donos de cães que deixam o seu cão dormir na sua cama, pedinchar comida, saltar para cima das pessoas, saírem sistematicamente livres nos passeios, pedirem festas, iniciar brincadeiras, etc. Tal acontece por indisponibilidade/indiferença em relação ao cão ou tão simplesmente porque entendem (por falta de conhecimento) que assim os seus cães são felizes.

No entanto, tudo se complica quando começam a surgir comportamentos que os donos não entendem, mas que querem desesperadamente resolver. São exemplos disso a falta de controlo, o cão que puxa na trela, o cão que destrói a casa na ausência dos donos, o cão que corre atrás da cauda, o cão que ladra insistentemente sem razão aparente, o cão que corre freneticamente em círculos ou ziguezague, o cão que abre buracos, o cão que simula rituais territoriais (urinando, defecando, ladrando, insinuando sinais de agressividade) e muitos outros exemplos que poderiam ser dados.

Sem perceberem (e muitas vezes não querendo perceber) as razões de tais comportamentos, os donos vão pelo caminho “mais fácil” que, não raramente, apenas tem como consequencia o agravamento dos problemas e o infligir de sofrimento no cão. Em relação a este ultimo aspecto que não hajam duvidas:

- Se o cão ladra, coloca-se uma coleira de choque anti-ladrido. Isto se não for cara, caso contrario, talvez uns baldes de agua fria resultem.

- Se o cão causa estragos em casa, a chegada dos donos, trás com ela uma agressão verbal ou mesmo física (esta ultima é a mais usada).

- Se o cão puxa, aplica-se (de forma errada) uma estranguladora ou um colar correctivo (conhecido como colar de bicos)

- Se o cão urinou no chão da casa, os donos esfregam o focinho do cão no chão.

- Se o cão tenta fugir do quintal, prende-se a uma corrente.

- Se um cachorro morde o que não deve, leva uma pancada no focinho

Lamentavelmente, esta lista de métodos errados, poderia ser mais extensa.

Tudo isto acontece porque ao se querer um cão de companhia, a maioria das pessoas, não quer um CÃO quer apenas aquele animal engraçado que dizem ser o fiel amigo do homem.

Muitos donos não conhecem os seus cães e respectivas necessidades, assim como, muitos políticos e respectivas leis impostas no nosso pais, tão pouco lhes reconhecem qualquer direito.

Colocado recentemente na Web por um anónimo, circula um vídeo, alusivo às declarações proferidas no final do ano transacto, pelo actual candidato ao Parlamento Europeu o Sr. Paulo Rangel.

Dado que estamos num pais democrático, onde se apela ao dever cívico do voto, não quero deixar de dar a minha modesta contribuição, para que em consciência, os portugueses saibam o que é um “exemplo de civismo”. Afinal o “exemplo” vem de cima.

Assim, convido a ver o vídeo em causa:




Cláudio M. Nogueira
www.amigodorottweiler.com
www.youtube.com/cnogueira
http://twitter.com/amigorottweiler

quarta-feira, 22 de abril de 2009

O Conflito


É muito frequente deparar-me com cães, sejam eles cachorros ou adultos, os quais evidenciam algum receio quando brincam com os seus donos. Os primeiros sinais manifestam-se nos gestos bruscos do condutor do cão e na hesitação do próprio cão em agarrar ou manter um brinquedo na boca.


Paralelamente a este facto, existe igualmente a indiferença dos cães aos seus donos, quando libertados da trela. Vale tudo menos ir ter com o dono quando este o chama.


Esta realidade começa a formar-se nas idades mais jovens dos cachorros, altura em que as brincadeiras desmedidas com as mãos, não passam de provocações constantes para o animal. Este responderá da única forma que sabe ou seja, mordendo. Cenário que o dono não permite, acabando por repreender o cachorro com uma palmada (muitas vezes no focinho). Tudo isto está errado.


O resultado, deste “jogo” e respectiva consequência, acabará por gerar um conflito crescente, em que o cão deixará de perceber qual a barreira entre a brincadeira e uma luta na qual terá que se defender.


Igualmente, desde cedo, os donos querem testar a sua supremacia sobre os seus cães, forçando sistematicamente a que os cachorros larguem tudo que tem na boca. Algo que se agrava com a permanência de um cachorro que, livremente, percorre uma casa ou um quintal/jardim. O preço a pagar será alto, quando um dia se queira treinar um cão através da motivação e recorrendo a métodos positivos (Ex: Uso de bolas, churros ou mesmo comida). Na mão do dono, o cão nunca terá confiança ou motivação suficiente para brincar. Também neste caso, o cão deixará de perceber quais os limites da sua liberdade.


Por fim, e como oposto aos cenários anteriores, curiosamente, os donos deixam os seus cachorros crescerem, habituando-os, a passear livres da trela. Situação que os poderá colocar em risco, bem como, incorrectamente, irem incomodar terceiros (sejam outros animais ou pessoas). Procedendo desta forma, livres e sem obediência, os cachorros aprendem a libertar-se não só da trela mas também do dono. Principalmente, quando nestas circunstancias, a bem ou a mal (após longos e longos minutos de desespero) são apanhados e remetidos na base da força para o final do passeio.


Será sempre importante entender os cães, não os ver como humanos nem tão pouco os ter por mero capricho. Não menos importante, ter a humildade suficiente para perceber que, muitas vezes, antes de pensar em treinar um cão, deve pensar em “treinar-se” a si próprio.